13.8.10

poemas de denise freitas




a escolha de cecília

nenhuma vontade lhe parecia válida
ou suficiente
gastava no uso repetido os dias velhos
e se desgastava neles
desgostava deles a ausência de serventia
a tal ponto sem vontade
sem pressa e sem demora
cecília esvaziava-se de si
de sua lucidez cansada

correram alguns a dizer que morreu por escolha
embalada ao ânimo que lhe faltava em vida

relevo


não quero
reconheço lugares
montes

voluntariamorte

no cheiro na pele
gosto e azedume sem cautela

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Denise Freitas, nasceu em Rio Grande (RS) no dia 10 de dezembro de 1980. É professora de História, no ano de 2007 publicou o livro "Misturando Memórias: contos e crônicas de Itajaí", em parceria com Leandro dos Santos. Blog www.sisifosemperdas.blogspot.com

6 comentários:

poemasemfoco disse...

Cara Denise. Gostei muito do poema-crônica. Fico ponderando quantas Cecílias (e, perdão, Cecílios) estão por aí a se desgastar pelo uso repetitivo dos seus dias, e o quanto precisamos ser renovados para não terminarmos vazios. A poesia nos ajuda nessa roda de reciclar. Parabéns. Sandro Pinto.

denise martins freitas disse...

Sandro. tens razão, não são apenas as cecílias que são vistas nesses desgastes.

Priscila Lopes disse...

Parabéns à Denise, gostei do que vi por aqui; vou atrás de mais.

abraço

nydia bonetti disse...

Também gostei do que li aqui. Já estou seguindo o blog de Denise. abçs.

denise freitas disse...

sigo o blog da Nydia, gostei muito. um abraço

Francisco de Sousa Vieira Filho disse...

Encantado com a beleza pura e simples desta alma e com o espaço que forjou ali a dencantar-se em pequenos nacos de poesia... ;) Seguindo-te a.com.prazer-me lá... ;)