a escolha de cecília
nenhuma vontade lhe parecia válida
ou suficiente
gastava no uso repetido os dias velhos
e se desgastava neles
desgostava deles a ausência de serventia
a tal ponto sem vontade
sem pressa e sem demora
cecília esvaziava-se de si
de sua lucidez cansada
correram alguns a dizer que morreu por escolha
embalada ao ânimo que lhe faltava em vida
ou suficiente
gastava no uso repetido os dias velhos
e se desgastava neles
desgostava deles a ausência de serventia
a tal ponto sem vontade
sem pressa e sem demora
cecília esvaziava-se de si
de sua lucidez cansada
correram alguns a dizer que morreu por escolha
embalada ao ânimo que lhe faltava em vida
não quero
reconheço lugares
montes
voluntariamorte
reconheço lugares
montes
voluntariamorte
no cheiro na pele
gosto e azedume sem cautela
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Denise Freitas, nasceu em Rio Grande (RS) no dia 10 de dezembro de 1980. É professora de História, no ano de 2007 publicou o livro "Misturando Memórias: contos e crônicas de Itajaí", em parceria com Leandro dos Santos. Blog www.sisifosemperdas.blogspot.com












6 comentários:
Cara Denise. Gostei muito do poema-crônica. Fico ponderando quantas Cecílias (e, perdão, Cecílios) estão por aí a se desgastar pelo uso repetitivo dos seus dias, e o quanto precisamos ser renovados para não terminarmos vazios. A poesia nos ajuda nessa roda de reciclar. Parabéns. Sandro Pinto.
Sandro. tens razão, não são apenas as cecílias que são vistas nesses desgastes.
Parabéns à Denise, gostei do que vi por aqui; vou atrás de mais.
abraço
Também gostei do que li aqui. Já estou seguindo o blog de Denise. abçs.
sigo o blog da Nydia, gostei muito. um abraço
Encantado com a beleza pura e simples desta alma e com o espaço que forjou ali a dencantar-se em pequenos nacos de poesia... ;) Seguindo-te a.com.prazer-me lá... ;)
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