Por Aderaldo Luciano

A cidade de Aroeiras, na Paraíba profunda, é o minarete ideal do poeta Hildeberto Barbosa Filho. Parecendo um homem de pedra, firmando o olhar no perder de vista da vida, tem sido, além de crítico engajado e profícuo, um mar para onde convergiram o professor, o poeta, o crítico, o pensador e o fazedor de palimpsestos. Sua crítica derramou-se sobre toda uma geração. Escreveu sobre os autores nordestinos com rara sensibilidade. Como se lê em Às horas mortas (Jornal Literário), em uma confissão:
Não me importam os abutres do medo. Tento apenas preparar-me para as cerimônias do amor.
Em outra confissão:
A poesia também está — e hoje digo com toda convicção — no excesso e no transbordamento.
Mas é sobre todos os lugares que quero falar. Hildeberto é Odisseu a vagar pelo mar e retornar à Ítaca: sua comarca. Todos os lugares desembocam nas pedras aroeirenses, todos os passos são sobre o lajedo, todos os ecos são dos tótens-monolitos fincados ao sol. A pele é um mandacaru, o olho se espalha como os galhos do umbuzeiro, abriga e ensimesma. O poema é todo o homem. Dois poemas de todos os lugares:
Residência
(para Carlos Tavares de Melo)
Para que partir
se meu lugar contém
todos os lugares?
O que está longe não existe
e em todo lugar é a mesma dor.
Inútil partir, viajar, desesperar...
Toda geografia é interior.
Intertexto
O corvo de Edgar Allan Poe
também me traz o mesmo recado:
- nunca mais!
Basta a noite,
com seus tinteiros de delírio,
borrar as laudas do meu leito
e as varizes da insônia
começarem a latejar.












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