5.2.10

cândido rolim, hoje

o poeta de Pedra Habitada



ágil senso da propriedade


cai a moeda no
assoalho seco do
ônibus um
baque durável de
25 cents

aqui ali alguns
homens naturalmente levam a
mão ao bolso próximo ao
peito

profundo contam
um desfalque
epidérmico

o gesto todo
prevenção para o próximo
destino



Um cão

Metade da cabeça, rente ao muro. Cacos à cata do ônibus. Retardatário. Olhar boiando sobre a lagartixa destripada – meio-dia e a diáfana camada de veludo das coisas mortas. Ali por onde se arrasta sujeito ao insulto, um cão. Com os dez mandamentos na cabeça. Isto é, não matar. Vestir a camisa sempre. Etc. Rosnando uma cantiga. Diabo com certidão de bons antecedentes.


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Cândido Rolim é natural de Várzea Alegre, CE . Tem publicados os livros Exemplos Alados (Letra e Música, Fortaleza/CE, 1997), Pedra Habitada (AGE, Porto Alegre, 2002) e Fragma (Éblis, Porto Alegre, 2009). Artigos, poemas e/ou ensaios sobre poesia publicados em revistas do Brasil e sites de literatura: Sibila (SP) http://sibila.com.br/, Babel (SC/SP), Porto & Vírgula (RS), http://www.cronopios.com.br, http://www.germinaliteratura.com.br , entre outros. Mantém o blog Signagem (http://www.signagem.blogspot.com/). E-mail: candidorolim@hotmail.com

3 comentários:

André disse...

queria agradece-los por postarem textos tão bons. caramba esses versos são íncriveis. não conhecia o autor, fiquei com vontade de ler mais. as imagens, os ritmos e sonoridades são ótimos.
e coisas de um dia-dia que é sempre subalterno: latas, moedas que caem, terrenos baldios, seres que rastejam... vou dar uma olhada no links!

um abraço

Aíla Sampaio disse...

Cândido, gosto do seu estilo enxuto, dessa cotidianidade tão bem transfigurada.

Beijo, Aíla

pablurolim disse...

Poesia imediata, que remete a um momento tão comum... Assim como o mergulho da madeleine da Proust no chá, foi o poema "ágio senso".