5.12.09

dois poemas da poeta erika almeida

Erika Almeida


Todos os gemidos do lado de dentro
Aboletaram-se aos pés do monte
A espera da retirada das farpas
Enfileiradas na pele

Doze avos do cadarço estreito
Pendurado rente a terra ímpia
Contam das ruas lentas
Dos alvéolos afogueados
No calor do meio dia

E assim, bem assim
No musgo baixo, aos pés do monte
Ruge o marginal de si
Os brados ecoando tempestades
A espera da hora terceira.

*

Na fronteira do ocaso
Peito em sombras
Desprendendo-se do porto
Agarra-se ao leve azul que resta
Tentativa de retardar o exílio
Que se apressa como a noite.



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Erika Almeida, embora nascida carioca, vive em Porto Alegre há trinta anos. Médica psiquiatra, psicoterapeuta, é casada com um gaúcho e tem três filhas. Escreve desde menina. Sem livros publicados. Contato: jgodoy@via-rs.net

5 comentários:

Gabriela disse...

Parabéns pelo lindo talento que Deus lhe deu! Continue sempre escrevendo e traduzindo em versos os sentimentos da tua alma.
Bjs Gabriela Godoy

lila costa disse...

Lindo!!!

Emídio Ferreira de Aguiar disse...

Belíssimo poema, com raízes no surrealismo, desconstruído, hermético, com imagens diamantíferas de vários tons, a plantar rosas no nosso pensamento. Faça assim 110 e publique, por favor. Martz Inura

Carla disse...

Quero mais. Muito mais. Beijão. Carla

Gabriela disse...

ERIKOTA QUERIDA, PARABÉNS, A PALAVRA É A MORADIA DOS POETAS O MISTÉRIO É DE QUEM E COMO A ESCULPIU. ESPERO QUE VC ENCONTROU NOS SEUS LABIRINTOS BEM PROFUNDOS OS SEUS SONHOS E QUE CONTINUE NOS PRESTIGIANDO COM ESSAS OBRAS MARAVILHOSAS.
BJÃO MAMMY
RIO DE JANEIRO 26/01/2010