Recém lançado, o livro Lar, de Armando Freitas Filho, vem sendo muito festejado. É sem dúvida um dos grandes poetas brasileiros vivo. Confira a seguir um poema dele dedicado à poeta Ana Cristina César, de cuja obra se tornou guardião e referência depois da trágica morte dela.
NAS BODAS DE PRATA DE LEI DA SUA MORTE
.....................................................pensando na Ana
A intimidade da sua morte pública
espetacular, com a cortina aberta
marcou minha vida funcionária.
Nunca pensei que me acontecesse
alguma coisa assim – selvagem –
tão próxima, ou que fosse possível
a alguém, contida, mas em guarda
desatar-se no espelho, de uma vez
e partisse para o ataque a si mesmo
através de dias de decididos suicídios:
primeiro, em narcótico mar, depois
corte! para o abismo da queda livre
traduzindo, à sua maneira, o tumulto
do tempo no qual viveu, de modo
perfeito, fidedigno, sensacional.












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