18.7.09

Literatura de mercado e reconhecimento

"[..] ideias como a do reconhecimento post-mortem e a de que a arte é o exercício de um espaço utópico e de contestação já não nos define mais, hoje, como artistas. É preciso redefinir nossa posição diante desses inequívocos fatos e, se possível, reordenar nossas palavras e ideias para voltar, quem sabe, a lidar com a palavra “arte” com algum senso de direção. A cultura e a arte nunca foram, como creem alguns, o lugar onde negamos ou nos refugiamos das duras realidades da luta pela sobrevivência, senão para os próprios artistas. A cultura e a arte, em verdade, sempre estiveram na base de todos os fenômenos históricos transformadores, incluindo os econômicos.

Mal nos demos conta ainda: mas a queda do muro de Berlim também pode bem representar o início da queda do muro desse refúgio, onde alguns poucos artistas puderam, até então, se esconder das duras lutas pela sobrevivência. E o que agora parece, para esses mesmos poucos, ser o fim da arte pode não passar de ser o começo de uma transformação, ainda que neste exato momento essa transformação não seja propriamente divisável e seus contornos se expressem num baixo nível vibratório, narcísico, uterino e quase nada ético."
Do poeta, tradutor e editor João José de Melo Franco na revista Sibila. Clique aqui para ler o ensaio na íntegra.

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