18.7.09

Chacal critica excesso de assepsia social na FLIP

"A polêmica prolifera entre o over e o underground em confronto em Paraty. Esse ano não fui. Tinha mais o que fazer. Mas devo reconhecer que a FLIP é um achado. Num país de poucas letras, o sucesso desta festa é um glorioso mistério a ser reconhecido. E com a cidade colonial cheia de "amantes da literatura", a rapaziada também quer tirar sua onda e vender seu peixe. Nada mais justo. Eu que já vivi os dois lados da moeda, acho que uma das melhores coisas da FLIP é encontrar bicho de pena, seja ele pavão, albatroz ou galo de briga. Acontece que esse ano, a direção da FLIP resolveu reprimir a rapaziada, que batalha para fazer seu livro e lá vender para se tornar famoso e ficar riquíssimo ou apenas para pagar a viagem. Isso se chama reserva de mercado ou, quem sabe lá, excesso de assepsia social. Para não dizer limpeza étnica porque proibiram também as comunidades indígenas e quilombolas de vender seu artesanato, de um colorido humano magnífico. Essa feira, esse bazar de tantas almas é que faz a festa ficar boa. Mas a direção da FLIP quer que aqueles consumidores de qualquer coisa que a mídia indique, seja só dela e de mais ninguém. Se insistirem em boicotar e reprimir nossos funâmbulos, nossos líricos delirantes, os baluartes da literarrua, a FLIP se tornará um jogo de cartas marcadas, fabricada pelas editoras e pela mídia para gáudio da burguesia imperial engalanada e da triste academia beletrista. Imagino que desse jeito, em breve para entrar na cidade, durante a FLIP, teremos que pagar ingresso e passar por uma revista digna de aeroporto americano. Mas isso não dará o resultado esperado. Paraty é terra de pirata que dá um papagaio pra não entrar numa briga. E uma cáfila para invadir sua praia. Por uma Flip mais free. Falei e fui."

(Texto do poeta Chacal, postado originalmente em seu blog).

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