12.7.09

Armando Freitas Filho e a crítica

Celebrado por muitos, Lar, o novo livro de poesia de Armando Freitas Filho acaba de receber uma crítica negativa, escrita por Luis Dolhnikoff para a revista Sibila. Curiosamente, o próprio poeta, em recente entrevista a Luciano Trigo, fez uma defesa vigorosa da crítica independente, condenando a ausência de reparos nas resenhas poéticas escritas por compadres literários. Certamente não é esse o caso da crítica de Luis Dolhnikoff, para quem:
Os poemas de Lar, mesmo quando mais poeticamente bem realizados, não vibram: trata-se, ao fim e ao cabo, de uma constatação, de um resultado. Bons poemas são mais do que a mera soma de suas partes. Ou seja, são tais que a soma de suas partes poeticamente bem realizadas levam o resultado para muito além de sua realização eficaz. Poemas imperitos são feitos de partes poeticamente mal realizadas, ou realizadas pobremente. Os poemas de Lar são tão-somente a soma de suas partes poeticamente bem realizadas. Isso quando o são. Pois outra das características de Lar é serem muitos poemas, ou muitas passagens de muitos poemas, apenas fragmentos de prosa mal disfarçados pelo recorte aleatório e pelo margeamento à esquerda.
A crítica é dura e contraria a opinião de vários especialistas que já se manifestaram favoravelmente ao livro. Dentre eles, destacamos o poeta, tradutor e ensaísta Claudio Daniel, que comentou o seguinte em seu blog:
Estou lendo [Lar,] com satisfação. Armando Freitas Filho é um dos poetas que me interessam mais, hoje, pelo sentido construtivo e riqueza de imaginário. [...] Armando e poucos outros poetas que escrevem hoje são verdadeiros samurais da poesia, que mantêm sempre afiado o fio da espada da linguagem.
Reproduzimos a seguir um poema do novo livro de Armando Freitas Filho. Na nossa opinião, é um belo poema, de fazer vibrar. E você, o que acha?

Da casa dos três dígitos
não saio mais. Trinco.
Dia após dia de prisão
na cidade em carne viva.
Entre em si para sempre:
tendo de seu, apenas o bodum
ranzinza do corpo
que vai se resignando
a não perseguir o inominável
nem a se persignar.

.

0 comentários: