11.4.09

corpo

Ricardo Domeneck


cor.po
subst. m. corpo ['korpu]. pl. corpos. De nem
um. Massa
e peso
(favor não confundir)
anexados a superfícies
de código binário
aka masculino e feminino.
1. a. Geografia do posicionar-se. Área com fronteiras definidas; porção de espaço a sonhar com dicionários.
1. b. Locus de focus em terror, hocus pocus da lógica em orifícios úmidos.
1. c. Carcaça. "De volta à realidade!".
Diz-se
que o mesmo ar
não pode circundar
dois ao mesmo
tempo.
2. a. Padrão de aparência perigosa para a mecânica da pureza; a ilusão da higiene.
2. b. Não uma árvore.
Cores são encomendadas de acordo com o gosto.
Entrega segue regras de fabricação genética. Exemplares ruivos
anexados a um pênis
são uma iguaria.
3. a. Não confiável em impermeáveis. Temporário e de oscilações frequentes. "Quase lá."
3. b. Um grupo de erros e equívocos reputados como uma sanidade; uma Corporação S.A.
Mas a esfera
privada
é também um pesadelo.
4. a. Estabelecimento comercial. Para instruções, referir-se ao manual, ao oral.
Som
conhecido como voz
cola-o
à sua definição.
5. Geringonça que não sua em fotografias:
5. a. Anal tomia. A maior peça da fricção.
5. b. Maquinaria para a produção de líquidos.
5. c. Exclusivo para índices e apêndices.
5. d. Destinado a lubrificantes.
Se cortado ou perfurado, tende a tornar-se mais atento.
6. Massa de matérias e matéria de farrapos.
Dê-lhe água,
faça-o celeste.
7. a. Uma coletânea ou quantidade, como de material ou informação: a evidência de sua inflação.
VOCÊ ESTÁ AQUI
em um mapa.
8. Mobília confortável que requer manutenção.


* Poema originalmente publicado na revista francesa Double. "Escrever e compor o corpo e através do corpo e com o corpo têm sido uma de minhas pesquisas mais incessantemente obsessivas", declara Ricardo Domeneck. Clique aqui para ler sobre o projeto poético do autor.


(Ricardo Domeneck nasceu em Bebedouro, estado de São Paulo, em 1977. Publicou dois volumes de poemas: Carta aos anfíbios (Rio de Janeiro: Bem-Te-Vi, 2005) e a cadela sem Logos (São Paulo: Cosac Naify, 2007). Seu terceiro livro, Sons: Arranjo: Garganta, será publicado este ano. É co-editor das revistas Hilda e Modo de Usar & Co. Seus poemas foram traduzidos e publicados na Argentina, Alemanha, Estados Unidos, Espanha, Bélgica, Inglaterra e nos Emirados Árabes. Vive e trabalha em Berlim, Alemanha, desde 2002.)

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