Entre os poemas do recital Cacaso, Não por Acaso, este inédito da poeta Mônica de Aquino.
Não por acaso
o verso fácil
de quem já sabe em si a pedra
do caminho a pedra
do cabralino verso
o concreto da síntese
e mistura tudo num pulo do gato
escaldado, o mesmo
que comeu o lirismo
que estava aqui.
Mas nenhum lirismo é um verso
que não é do seu poema -
e rima romântico e perverso.
Não por acaso a alquimia
de corpo e texto
na metafísica dos beijos
na queda de quem sabe a nuvem.
Nem por acaso remar rio acima
com o verbo ágil
de quem desce
a correnteza
no desejo de (re)conhecer
todas as formas de delicadeza.
Por acaso, talvez, a vertigem
da margem
no poema que nos contempla.
16.3.09
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