1.9.10

Finalistas do Jabuti 2010 (poesia)

A Câmara Brasileira do Livro (CBL) divulgou nesta quarta-feira as listas dos finalistas nas 21 categorias da 52ª edição do Prêmio Jabuti. Os 10 finalistas da categoria poesia são os seguintes:

1º “ Passageira em trânsito”, de Marina Colasanti (Record)
2º “Sangradas escrituras”, de Reynaldo Jardim Silveira (Star Print)
3º “ Soneto antigo", de Anderson Braga Horta (Thesaurus)
4º “ Lar,", de Armando Freitas Filho (Companhia das Letras)
5º “ Poesia reunida", de Euclides da Cunha (Fundação Editora da Unesp)
6º “ O sexo vegetal", de Sergio Medeiros (Iluminuras)
7º “ A cor da palavra", de Salgado Maranhão (Imago)
8º “ Sagração do alfabeto", de Leonor Scliar-Cabral (Scortecci)
9º “ Sob o céu de samarcanda", de Ruy Espinheira Filho (Bertrand Brasil)
10º “ Palavras Cúmplices – Versos & Reverso", de Beatriz Alcântara (Fundação Waldemar Alcântara)

Para conhecer os nomes dos classificados nas outras 20 categorias que concorrem ao prêmio, visite o site da CBL.

13.8.10

poemas de denise freitas




a escolha de cecília

nenhuma vontade lhe parecia válida
ou suficiente
gastava no uso repetido os dias velhos
e se desgastava neles
desgostava deles a ausência de serventia
a tal ponto sem vontade
sem pressa e sem demora
cecília esvaziava-se de si
de sua lucidez cansada

correram alguns a dizer que morreu por escolha
embalada ao ânimo que lhe faltava em vida

relevo

não quero
reconheço lugares
montes

voluntariamorte

no cheiro na pele
gosto e azedume sem cautela

___________________________

Denise Freitas, nasceu em Rio Grande (RS) no dia 10 de dezembro de 1980. É professora de História, no ano de 2007 publicou o livro "Misturando Memórias: contos e crônicas de Itajaí", em parceria com Leandro dos Santos. Blog www.sisifosemperdas.blogspot.com

5.5.10

Vitória, ES: Novo selo editorial, quatro poetas, seis livros e um recital


Seis livros de quatro poetas serão lançados no dia 20 de maio, às 19h, na Associação dos Docentes da UFES (ADUFES, Campus de Goiabeiras). O evento, com recital de poesia e projeção de vídeos, marca a estréia da Aves de Água, nova iniciativa editorial voltada à publicação de literatura. Alexandre Moraes e Casé Lontra Marques lançam dois livros cada um (“A sequência de todos os passos” e “Preparação para o exercício da chuva”, de Moraes, e “A densidade do céu sobre a demolição” e “Saber o sol do esquecimento”, de Casé). Wladimir Cazé lança seu segundo trabalho, “Macromundo", e Alexander Nassau apresenta “O tempo da curva”, seu primeiro livro de poemas. A entrada é gratuita.


Links para os blogs dos livros, com poemas e textos críticos:

"A sequencia de todos os passos" (Confraria do Vento, 2009), de Alexandre Moraes


"A densidade do céu sobre a demolição" (Confraria do Vento, 2009), de Casé Lontra Marques

"Macromundo" (Confraria do Vento, 2010), de Wladimir Cazé

"Preparação para o exercício da chuva" (Aves de Água, 2010), de Alexandre Moraes

"Saber o sol do esquecimento"(Aves de Água, 2010), de Casé Lontra Marques

"O tempo da curva"(Aves de Água, 2010), de Alexander Nassau




Evento:
recital de lançamento de livros dos poetas Alexandre Moraes, Casé Lontra Marques, Alexander Nassau e Wladimir Cazé
Quando: 20 de maio, às 19h
Onde: Associação dos Docentes da UFES (Av. Fernando Ferrari, 845, Campus de Goiabeiras)Quanto: Grátis
Informações: 27-8818-1144

28.3.10

Lance de dardos, de Iracema Macedo, novidade aos 10 anos


Em março de 2000, Iracema Macedo lançava Lance de dardos. Era a reunião de poemas publicados anteriormente nos livros Vale feliz (1991), Gravuras (1995) e Ceia das cinzas (1998), todos em parceria com Eli Celso e André Vesne.

Iracema foi vencedora dos principais prêmios literários norte-riograndenses: Othoniel Menezes, em 1992; Myriam Coeli, de 1992 e Auta de Souza, de 1994. Nascida em Natal, estudou Nietzsche e, de certa forma, dialoga com o filósofo na escritura de sua poética.

Dois poemas:

Bacante

Em meu ninho longínquo
inicio ventos
invento cios
canto e danço em volta do fogo
transformo meu leite em vinho
e ofereço meu corpo para os lobos

Bilhetinho

Quando eu morrer
mesmo em tristeza devastada
morrerei de alegria de terem sido possíveis:
o amor a tristeza e a aventura de ser carne
em meio a tampas e pedras

26.3.10

Poetas da Bahia em depoimentos históricos


Florisvaldo Mattos, José Carlos Capinan, Antonio Brasileiro, Ruy Espinheira Filho, Myriam Graga e Roberval Pereyr são alguns dos poetas que têm depoimentos publicados em "Literatura baiana 1920-1980", livro do pesquisador Valdomiro Santana lançado há 23 anos que reaparece em edição revista e ampliada, com lançamento neste sábado, 27 de março, às 10h, na Livraria LDM, em Salvador/BA (R. Direita da Piedade, nº22, Piedade). A obra inclui também depoimentos de prosadores e artistas visuais.

Autor com diversos livros publicados, Valdomiro Santana é jornalista, escritor, editor e mestre em Literatura e Diversidade Cultural pela UEFS (Universidade Estadual de Feira de Santana).

Lançamento: "Literatura baiana 1920-1980", de Valdomiro Santana
Quando: sábado, 27 de março, a partir das 10h
Onde: Livraria LDM (Rua Direita da Piedade, nº22, Piedade, Salvador/BA)
Mais informações: 71 2101-8007 / eventos@livrariamulticampi.com.br

24.3.10

Hildeberto Barbosa Filho da Comarca das Pedras


A cidade de Aroeiras, na Paraíba profunda, é o minarete ideal do poeta Hildeberto Barbosa Filho. Parecendo um homem de pedra, firmando o olhar no perder de vista da vida, tem sido, além de crítico engajado e profícuo, um mar para onde convergiram o professor, o poeta, o crítico, o pensador e o fazedor de palimpsestos. Sua crítica derramou-se sobre toda uma geração. Escreveu sobre os autores nordestinos com rara sensibilidade. Como se lê em Às horas mortas (Jornal Literário), em uma confissão:

Não me importam os abutres do medo. Tento apenas preparar-me para as cerimônias do amor.
Em outra confissão:

A poesia também está — e hoje digo com toda convicção — no excesso e no transbordamento.

Mas é sobre todos os lugares que quero falar. Hildeberto é Odisseu a vagar pelo mar e retornar à Ítaca: sua comarca. Todos os lugares desembocam nas pedras aroeirenses, todos os passos são sobre o lajedo, todos os ecos são dos tótens-monolitos fincados ao sol. A pele é um mandacaru, o olho se espalha como os galhos do umbuzeiro, abriga e ensimesma. O poema é todo o homem. Dois poemas de todos os lugares:

Residência
(para Carlos Tavares de Melo)

Para que partir
se meu lugar contém
todos os lugares?

O que está longe não existe
e em todo lugar é a mesma dor.

Inútil partir, viajar, desesperar...
Toda geografia é interior.


Intertexto

O corvo de Edgar Allan Poe
também me traz o mesmo recado:
- nunca mais!

Basta a noite,
com seus tinteiros de delírio,
borrar as laudas do meu leito
e as varizes da insônia
começarem a latejar.